Lei Áurea do jornalismo!!!

Perguntas e respostas sobre o canudo

Por Carlos Brickmann, em 23/6/2009, disponível em http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=543CIR001 .

 

O curso de Jornalismo perdeu a validade?

Não: a transmissão de conhecimento é sempre útil e aquilo que se aprende é propriedade perpétua de quem o adquiriu. O diploma de Jornalismo vai continuar existindo; quem o tirar continuará tendo registro. Imagine que você tenha aprendido mandarim: isso jamais foi exigido para trabalhar em Jornalismo, mas vai ajudá-lo muito a conseguir um bom emprego e a desempenhar suas funções com eficiência.

As empresas são obrigadas a contratar quem não fez o curso?

Não: as empresas vão contratar os profissionais que lhe oferecerem o melhor serviço. Se as faculdades de Jornalismo formarem profissionais mais bem qualificados que os que não as cursaram, os diplomados terão a preferência. O que ocorreu foi o fim da reserva de mercado, não a criação de outra reserva.

As empresas podem contratar quem quiserem?

Sim. Mas, como o mercado é competitivo, as empresas sempre procurarão contratar os profissionais de melhor qualidade. E os que tiverem curso superior, se bem feito, levarão vantagem sobre os que não o tiverem – a menos que o talento e a capacidade de estudo dos que não tiverem curso superior superem a desvantagem da falta de educação formal.

As empresas vão contratar não-jornalistas para pagar menos?

Não: profissionais como Roberto Muller, Rodolfo Konder, Ricardo Kotscho, Fernando Gabeira, Luís Carta, Ennio Pesce, Nahum Sirotsky, Rolf Kuntz, ou como este colunista, sempre ganharam os melhores salários das diversas redações em que trabalharam, e não têm diploma de jornalista. O cálculo é mais complexo e engloba a relação custo-benefício: profissionais de alto nível custam mais caro, tenham diploma de jornalista ou não, e seu trabalho é habitualmente melhor.

Para que investir tempo e dinheiro fazendo faculdade de Jornalismo se o diploma é desnecessário para exercer a profissão?

Para que aprender inglês, espanhol, alemão e japonês se os respectivos diplomas são desnecessários para exercer a profissão de jornalista? Porque acreditam que os conhecimentos que adquiriram são úteis. Mas, se alguém fez uma faculdade daquelas bem maleáveis, no facilitário, apenas para obter o diploma, terá perdido seu tempo e dinheiro. Mas iria perdê-lo de qualquer forma: o mercado de trabalho é competitivo e impiedoso com quem não estuda, formal ou informalmente.

Qual a consequência do fim da obrigatoriedade do diploma na ética jornalística?

Nenhuma. Ética se tem ou não se tem. Ética não se aprende em cursos superiores. Há canalhas com diploma, há canalhas sem diploma.

Caem as prerrogativas legais da profissão de jornalista?

Não: o piso profissional, a jornada de cinco horas, o reconhecimento do Jornalismo como profissão diferenciada (mesmo que você trabalhe numa empresa distribuidora de petróleo, continuará sendo jornalista e descontando imposto sindical para o Sindicato dos Jornalistas, não o dos Petroleiros), tudo continua em vigor. Outras prerrogativas já caíram ao longo do tempo (jornalista era isento de Imposto de Renda, pagava metade da sisa, o Imposto de Transmissão Intervivos, tinha 50% de desconto em passagens de avião) e não houve enfraquecimento da profissão.

Por que outras profissões precisam de diploma e jornalista não? Posso então pleitear um cargo de ministro do Supremo?

Pode. A lei não exige diploma de Direito para ministros do Supremo. As condições necessárias são "notável saber jurídico e ilibada reputação". Caso o presidente da República (que também não precisa ter diploma de curso superior) o indique e o Senado o aprove, o novo ministro estará nomeado. 



Escrito por Carolina Brauer às 16h07
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A estupidez conceitual da esquerda, por Heitor Reis

Publico nos dois posts abaixo texto de Heitor Reis, como ele próprio se define, "um subversivo e um indivíduo perigoso do ponto de vista dos milicos e de Gilmar Mendes, engenheiro civil, militante do movimento pela democratização da comunicação e pela defesa dos Direitos Humanos, membro do Conselho Consultor da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida (www.cmqv.org) e articulista. Nenhum direito autoral reservado: Esquerdos autorais ("Copyleft")". O texto foi originalmente publicado no site Observatório da Imprensa, em 29/07/2008, e também está acessível no link http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=496FDS006 .  O título do artigo é "A estupidez conceitural da esquerda"... vale a leitura até o final, pela clareamento conceitual sugerido a todos por Heitor, um indivíduo que conseguiu sair da "Matrix" há tempos... parabéns e muito obrigada, Heitor!



Escrito por Carolina Brauer às 09h46
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Salve, Heitor Reis (parte I)!

Organizações de destaque no movimento social, a exemplo do Instituto Pólis e Instituto Paulo Freire, que apóiam várias iniciativas importantes para os excluídos, como o Fórum Social Mundial (FSM), bem como publicações tipo jornal Brasil de Fato e Le Monde Diplomatique Brasil, dão espaço a gigantes da luta contra a opressão, como João Pedro Stédile (MST), tal qual ocorreu em abril deste ano de 2008, no Diplô.

 

Por outro lado, podemos perceber que dizem tudo contra a democracia, mas jamais são objetivos o suficiente para afirmar que ela não existe de fato, e nem dizem também que temos, na prática, uma ditadura: "A democracia em que vivemos é hipocrisia".

 

Márcio Pochmann adota a mesma tática, afirmando que o Brasil é refém das grandes empresas e, ao mesmo tempo, considera que temos uma democracia (governo do povo, etc.)... [Ver aqui]

 

Meia boca

A veemência de minha crítica, aqui ou em qualquer outro lugar, visa a estimular o avanço na direção para a qual as pessoas e instituições citadas vêm caminhando, e não uma condenação ao bem que já realizam. Algo do tipo está bom, mas pode ser melhor. A prática ainda não alcançou a teoria. Nada de jogar a criança fora com a água do banho! Nem significa uma defesa da tese da direita em detrimento da esquerda. Apenas uma defesa da verdade, pura e simples, sobre este assunto.

 

Ora, se a democracia em que vivemos é falsa, o que temos então, como forma de governo? Por que também não deixarmos de lado a nossa própria hipocrisia de ficar blindando uma democracia que não existe e passamos a dar-lhe o nome que ela merece? Ditadura!

 

"Lançado em 1954, na França, e publicado hoje em 23 idiomas e 34 países, Le Monde diplomatique tornou-se sinônimo de jornalismo crítico e sem concessões à superficialidade" [ver aqui].

 

Este conceito, bem como o de "um novo olhar sobre o Brasil" do veículo francês, longe de ser uma realidade, ainda é um sonho apenas. É meia boca. Ou meio olho. Meia Veja.

 

Peças para a engrenagem

Em 2004, participei do seminário "Os Sentidos da Democracia e da Participação", promovido pelo Instituto Polis e Fundação Ford, onde eles resistiram a toda e qualquer iniciativa de se atingir o objetivo proposto de se fazer uma análise crítica da democracia brasileira. "Democracia" brasileira, para mim.

 

Como a premissa de todos ali era de que há uma democracia de fato no Brasil, apesar das inúmeras deficiências constatadas, minhas iniciativas de provar o contrário foram por água abaixo, o que registrei aqui.

 

A edição do Diplô de fevereiro de 2008 caiu-me em mãos durante o Enecom 2008 – Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação – que durou uma semana e terminou ontem (26/07/2008), em Niterói-RJ, contando com 800 inscritos. Utilizei-a durante minha fala sobre a Matrix em que vivemos hipnotizados, da qual fazem parte o Estado brasileiro e o império mundial, as universidades estatais ou privadas, a mídia etc., constituindo-se no verdadeiro e mais eficaz crime organizado a dominar sobre nós, ao contrário da propaganda mentirosa de que o Brasil seja um país de todos.

 

O objetivo desta sofisticada modalidade de crime altamente organizado é produzir lucro para a elite econômica que domina o país e o planeta, transformando leitores, eleitores, telespectadores, contribuintes, estudantes, operários e profissionais liberais de nível universitário, como jornalistas, por exemplo, em meras peças para a engrenagem do sistema de produção capitalista, impedindo-os de desfrutar sua plena humanidade, como pensar além destes limites.



Escrito por Carolina Brauer às 09h40
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Salve, Heitor Reis (parte II)!

"Democracia popular" e "burguesa"

Procurei ir ao último limite da ênfase verbal, ajudado pelo microfone e sistema de som ali instalado, visando maximizar a memorização de minha tese para aqueles jovens, com os quais convivi por uma semana e que talvez jamais veja em minha vida: "Não há democracia alguma neste país!!!"

Para demonstrar a contradição existente, apontei para Silvio Caccia Bava, que também participou do já citado seminário "Sentidos da Democracia e da Participação", diretor do Diplô e coordenador-executivo geral do Pólis, em matéria de capa daquela edição. Infelizmente, não a encontrei disponível na edição publicada na rede [ver aqui].

Bava continua defendendo sua tese de que uma democracia pode ser mutilada em todos os aspectos que a determinam, mas, mesmo assim, permaneceria sendo uma democracia. "Democratizar a democracia", afirma ele.

Temos aqui uma contradição lógica de máxima grandeza: Fazer com que "A" seja igual a "A". Bem que poderia ser: democratizar a "democracia" brasileira... Mas não é! Ou seja, para ele uma democracia pode não ser uma democracia.

Eu entendo que ele quer dizer que "a democracia existente hoje apenas para uma minoria deve ser estendida a toda população". Mas, se democracia é o governo do povo, ela somente existiria se já fosse assim! Para toda a população. Termos como "democracia popular" e "democracia burguesa" são uma afronta a qualquer um que tenha superado a fase emocional, sentimental e passional do ser humano e assimilado um pouco do que entendemos por razão, lógica e coerência.

Plutocracia ou corporocracia

Lamentavelmente, nossos melhores quadros não têm capacidade, coragem, consciência ou sei lá o que para utilizar termos que realmente definam o que se tem em foco, como ditadura do poder econômico, plutocracia, cleptocracia e/ou corporocracia. Por que será?

Mais à frente, Bava defende, repercutindo professores da Unicamp que exigiam a "defesa da democracia", como se ela fosse um fato existente e incontestável, apesar de constatarem que os corruptos dominam o Estado brasileiro, o que caracteriza uma cleptocracia (governo dos ladrões), de cujo termo eles fogem como o diabo da cruz.

Continua ainda: "O documento declarava que o tipo de democracia em que vivemos tem sido útil para preservar o modelo neoliberal, mas não para atender aos interesses da maioria da população brasileira."

Como o modelo neoliberal atende a uma minoria da população brasileira, este "tipo de democracia" é, na realidade, a ditadura de uma minoria rica, uma ditadura do poder econômico, mais exatamente, uma plutocracia (governo dos ricos) e/ou uma corporocracia (governo das corporações).

Representantes dos ricos

Os fatos isolados veiculados pela mídia escandalizam eventualmente as sensibilidades acadêmicas, semi e analfabetas de nosso povo. Mas ocorrem com uma freqüência tal que explicitam a existência de um processo contínuo, organizado e premeditado de desrespeito a tudo que uma democracia pode significar. Paradoxalmente, o Estado, governos, escolas e mídia insistem que houve uma redemocratização e que as instituições democráticas funcionam plenamente. É a Sociedade do Espetáculo! [ver aqui].

O que temos, então, é uma ditadura do poder econômico sobre o poder político, de tal forma a assegurar a satisfação de sua voracidade pelo lucro a qualquer custo, financiando campanhas políticas, para que seus legítimos representantes possam fazer uma propaganda suficiente a ponto de enganar a maioria dos eleitores, fazendo-se passar por legítimos representantes do povo.

Após eleitos, irão governar para quem? Para quem lhes deu apenas o voto, enganado pela propaganda mentirosa, ou para quem financiou sua campanha? É leilão ou eleição? Por que os ricos podem colocar fortunas no caixa 1 e 2 de seus paus-mandados e os pobres não têm este mesmo direito? São todos iguais perante a lei eleitoral, como deveria ser numa democracia de verdade? Numa democracia, de verdade, a população condenaria tão intensamente os políticos que ela mesma elegeu? Os legítimos representantes do povo seriam os legítimos representantes dos ricos? [ver aqui]

 



Escrito por Carolina Brauer às 09h38
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