HONDURAS VII

Militares disparam contra manifestação desarmada e impedem o retorno do presidente Zelaya a Honduras.

Estava marcado para hoje o retorno à Honduras do presidente do país Manuel Zelaya, que no domingo passado sofreu um golpe de Estado por parte do alto comando militar e de instituições do poder hondurenho. Logo nas primeiras horas do dia, uma enorme marcha foi organizada na capital Tegucigalpa, rumo ao aeroporto internacional, para que os manifestantes pudessem receber a quem reivindicam como seu legítimo presidente.

Desde o domingo passado, o país centro-americano vive uma ditadura comandada por Roberto Micheletti, que declarou que o presidente Manuel Zelaya estava proibido de regressar ao país. Ainda assim, de Washington, Zelaya partiu para a capital Tegucigalpa, acompanhado de uma comitiva de jornalistas e por representações diplomáticas.

Pela tarde, o presidente golpista Roberto Micheletti convocou uma coletiva de imprensa, na qual demonstrou total determinação em seguir adiante com o golpe e sem nenhuma intenção de concessão ou possibilidade de negociação com os organismos diplomáticos. Vale dizer que ontem, sábado, dia 04, o secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, visitou o país e afirmou que o governo golpista não havia dado nenhum sinal de possível negociação.  Roberto Micheletti, na coletiva de imprensa, ainda deslegitimou a decisão da OEA de suspender Honduras desta organização e da aplicação da Carta Democrática. Micheletti também acusou, nesta ocasião, que tropas nicaragüenses estavam se aproximando da fronteira, num ameaça de invasão do país, em virtude do retorno do presidente Zelaya.

Enquanto realizava-se a coletiva de imprensa, nos arredores do aeroporto internacional acontecia uma enorme mobilização popular, organizada pelos muitos sindicatos e organizações sociais que mantêm uma greve-geral desde a segunda-feira passada. Os manifestantes estavam tentando furar o cerco militar, fortemente armado, presente em todo o aeroporto internacional de Tegucigalpa. Por volta das 5 da tarde, cerca de 50 mil pessoas conseguiram furar o cerco militar, mas foram duramente reprimidas pelos efetivos que estavam no lugar. Durante mais de 30 minutos os militares dispararam contra o povo, por sua vez desarmado e em uma manifestação completamente pacífica. Desde ontem, a Telesur, canal de televisão venezuelano, denunciou que havia franco-atiradores posicionados nas torres de controle do aeroporto com ordem para disparar contra qualquer tipo de rebelião popular, ainda que estivesse desarmada. A ação das Forças Armadas hondurenhas deixou um saldo de mais de cinco mortos e dezenas de feridos, como denunciaram as imagens de Telesur e o dirigente do Bloco Popular, Juan Barahona. Juan Barahona também anunciou que as mobilizações vão continuar amanhã e que o retorno do presidente democraticamente eleito Manuel Zelaya continua sendo exigido.

A Telesur também denunciou a cobertura de vários veículos de comunicação internacionais que chamaram os acontecimentos de hoje de um enfrentamento entre manifestantes e exército, ao passo que as imagens divulgadas pelo canal de televisão venezuelano mostram uma agressão brutal do exército hondurenho contra uma manifestação pacífica e completamente desarmada.

Por volta das 6 e meia da tarde, o avião que trazia a comitiva do presidente Zelaya sobrevoou o aeroporto internacional de Tegucigalpa, mas rapidamente foi ativada uma mobilização de efetivos do exército hondurenho para impedir que o avião pousasse no país. O presidente Zelaya e o comandante da aeronave deram declarações à Telesur, ainda quando sobrevoavam a capital, e denunciaram que a pista de pouso do aeroporto encontrava-se fechada pelos militares e que o governo golpista havia proibido a entrada do presidente Zelaya no país.  Dessa forma, a comitiva que levava o presidente Zelaya partiu para a Nicarágua, de onde poucos minutos depois se dirigiram a El Salvador, onde o presidente hondurenho se reunirá nesta noite com outros presidentes latino-americanos, como Cristina Fernández, da Argentina, Rafael Correa, do Equador, e Fernando Lugo, do Paraguai. Em El Salvador, vai ocorrer uma reunião para se determinar novas ações pela restituição do presidente hondurenho. Também acompanhava o presidente Zelaya o Ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro.

De El Salvador, o presidente Daniel Ortega, da Nicarágua, desmentiu que tropas nicaragüenses estivessem posicionadas na fronteira com Honduras e denunciou que se tratava de uma campanha do governo golpista para incitar o confronto internacional e velar o processo político anti-democrático que vive o povo hondurenho.

Agora pela noite, de San Salvador, o presidente Manuel Zelaya solidarizou-se com os mortos no massacre produzido hoje na capital hondurenha de Tegucigalpa.

Os movimentos sociais, que resistem desarmados à repressão militar que vem se intensificando desde o início do golpe, no domingo passado, prometeram resistir na greve-geral e na mobilização nas ruas de várias cidades do país, para exigir o retorno do presidente Zelaya às suas funções como presidente da República de Honduras. Neste momento, as negociações com o governo golpista devem ser retomadas de imediato, e, dessa forma, os organismos diplomáticos internacionais devem propor novas ações contra o regime golpista hondurenho.

 

Leonardo Fernandes.

Caracas/Venezuela, 05 de junho de 2009

 



Escrito por Carolina Brauer às 08h32
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Menos vivas e mais cidadania, por favor!

Abaixo, carta enviada a certos vereadores de BH e um deputado mineiro, à apreciação dos senhores.

"Prezados vereadores e deputado,

Sou Carolina Brauer David de Sousa, jornalista. Há alguns anos, quando ainda estava na faculdade e lutava para voltar a estudar, estive na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (AL-MG), para percorrer todos os gabinetes dos vereadores/deputados e tentar conseguir uma bolsa de estudos. O objetivo era seguir em frente em minha jornada estudantil.

Os gabinetes dos senhores, que hoje estão recebendo este e-mail, foram visitados por mim, como vários outros. À época, meus dados e contatos foram anotados por vocês/seus/suas assistentes e, desde então, em todos os meus aniversários, recebo cartas dos senhores que me felicitam pelo meu completar de anos.

Meu entendimento sobre a Coisa pública, naquela ocasião, era bastante deturpado, haja vista que cheguei a fazer o que fiz: percorri gabinetes de vereadores e deputados na busca por alguma maneira de voltar a estudar.

Obviamente e graças a Deus (hoje sei disso), não logrei êxito em minha empreitada, pois, caso contrário, teria incorrido em conduta absolutamente antiética, totalmente combatida por mim atualmente: visando a um favorecimento em detrimento daqueles que não tenham por ventura procurado a CMBH ou a AL-MG para pleitear uma bolsa de estudos no ensino superior, tentei conseguir voltar a estudar por esse caminho deplorável e anticidadão.

Não é assim que se melhora uma cidade, um país.

É com o entendimento consensual e universal de que o Legislativo deve trabalhar para aprovar as leis necessárias ao bem-estar da coletividade, ao mesmo tempo em que fiscaliza/auxilia o Executivo na condução e execução das políticas públicas, e isso com o mais irrestrito respeito ao erário, ao contribuinte e ao cidadão é que a sociedade irá se transformar. A oferta da educação em nosso país só irá aumentar quantitativa e qualitativamente, por conseguinte, quando políticas públicas forem formuladas em conformidade com a demanda, os anseios e as necessidades da população brasileira. E isso não se faz com favores, mas sim com vontade política.

Eu acredito que a sociedade brasileira esteja mudando (pra melhor), basta notar que a percepção da corrupção aumentou; que as pessoas se interessam mais sobre a política; que a comunicação está sendo democratizada, a partir da ação ininterrupta dos movimentos sociais, da sociedade civil organizada e da disseminação da internet (e dos blogs); e que as pessoas estão cada vez mais conscientes de seu papel-cidadão.

Estamos assistindo a sucessivas crises no âmbito do Legislativo, e tudo isso só reforça a tese de que, se a sociedade brasileira está mudando, os políticos não estão. A classe política, salvo honrosas e plausíveis exceções, permanece mergulhada no obscurantismo e na negligência da consciência-cidadã, consciência essa que deve nortear a totalidade das questões que emanam da esfera política.

Nesse sentido, em vez de usar a verba pública para enviar cartas inúteis de felicitações de anos (“alguém em sã consciência acredita que alguém venha a votar em alguém somente porque recebe cartas de alguém no dia do aniversário???”), despesas ainda mais inúteis com o serviço dos correios, com verba-indenizatória, com auxílio-gasolina, auxílio-alimentação, auxílio-moradia, altos salários e tudo mais o que um trabalhador comum não tenha e nem nunca venha a ter em contrapartida de seus serviços prestados, é preferível que vocês gastem o dinheiro público informando sobre o que vocês têm feito com vereadores e deputados de Belo Horizonte/Minas Gerais: que projetos propuseram? Que projetos votaram a favor? E contra? Estiveram presentes em quais sessões? Em que dias da semana? Por quanto tempo? Elaboraram algum estudo com vistas à melhoria das condições de vida da população de BH e do estado de Minas Gerais?

Aproveito o ensejo para perguntar diretamente aos vereadores: e sobre o PL 559/09, que visa à proibição da venda, cruel e insalubre, de animais no Mercado Central, como os senhores irão se posicionar diante dessa questão?

Quando eu tinha 15 anos, li o Manifesto Comunista, de Karl Marx. Desde aquela idade, eu já havia aprendido que a luta de classes move a história da humanidade. Sabendo disso, mas, ao mesmo tempo, não querendo reduzir questões fundamentais a meros exercícios maniqueístas, fico me perguntando: de que lado vocês estão? Para saber disso, eu precisaria ter ciência do que vocês andam fazendo na CMBH e na AL-MG. Em vão, pois, há anos, a história é a mesma: “muitas felicidades, muitos anos de vida” são o que recebo dos senhores – palavras belas, mas vazias de conteúdo, de verdade, de alma e de cidadania.

Carolina Brauer - jornalista e cidadã."



Escrito por Carolina Brauer às 16h38
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Em defesa dos animais

Contra a venda de animais no Mercado Central

Prezados,

O jornal Estado de Minas (EM) publicou ontem (01/07) uma reportagem sobre projeto de lei que está em tramitação na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH),  (clique aqui para ir à reportagem do jornal Estado de Minas), O PL 559/09, que prevê a proibição da venda de animais no interior do Mercado Central de BH. Quem conhece o Mercado Central e tem um mínimo de consciência e respeito à vida sabe como é horrível a “ala dos animais” do Mercado... junto à reportagem, o jornal disponibilizou uma enquete sobre o assunto. Clique aqui e aproveite para votar SIM para a proibição da venda de animais.

(Se você não conseguiu clicar no(s) link(s) sublinhado(s) acima, clique em http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2009/07/01/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=117035/em_noticia_interna.shtml
para acessar a notícia e em http://www4.estaminas.com.br/emonline/emonline/modulos/enquete/portlets/showvote?%0A%0Aid_enquete=304 para responder à pesquisa.)

Vamos nos posicionar contra possíveis emendas ao PL 559/09, contra medidas que se proponham a “regulamentar” a venda de animais no Mercado Central (pois o objetivo é justamente extinguir a venda) e, sempre que possível, vamos procurar incentivar a adoção RESPONSÁVEL dos animais!


Lembremo-nos, sempre: amigos reais não são comprados, são feitos!



Escrito por Carolina Brauer às 14h48
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HONDURAS VI

01/07/2009, quarta-feira - Informes e reflexões sobre a situação política de Honduras sob um regime militar.

 

Diante do prazo dado pelas Nações Unidas de 72 horas para a reintegração do presidente Zelaya como presidente de Honduras, Zelaya declarou que espera até o próximo sábado para ser reintegrado ao país. A viagem estava anteriormente marcada para a próxima quinta-feira, e na delegação que acompanharia o presidente já estavam confirmados os presidentes de Argentina e Equador, Cristina Fernández e Rafael Corrêa, e o secretário geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Miguel Insulza, entre outros representantes diplomáticos.

O governo golpista do general Roberto Micheleti não deu sinais de trégua, e alertou aos presidentes latino-americanos que não comparecessem ao país. Micheleti reafirmou a decisão de deter o presidente Manuel Zelaya assim que este pise em solo hondurenho. O dia de hoje foi marcado por uma intensificação ainda maior da repressão. Segundo os canais públicos venezuelanos, a caça aos dirigentes sociais intensificou-se com a aprovação pelo Congresso Nacional de prisões sem mandato. Os direitos constitucionais dos hondurenhos foram suspensos.

Para amanhã, os movimentos sociais e campesinos e os sindicatos que chamaram à greve-geral, que já está no seu terceiro dia, estão organizando uma grande marcha em Tegucigalpa para receber o presidente Zelaya, que tinha anunciado anteriormente que chegaria a Honduras na próxima quinta-feira. O governo golpista ordenou aos militares que disparem contra qualquer veículo que tente chegar à capital.

O “Foro Intinerante”, um espaço de debate e formação política sobre diversos temas que envolvem o internacionalismo, realizou hoje em Caracas o debate “Golpe Militara em Honduras, os meios atacam de novo”. O Foro concentrou-se em analisar os diversos elementos históricos do continente latino-americano que possibilitaram os fatos que têm ocorrido no pequeno e desconhecido país centro-americano.

O internacionalista Sergio Rodríguez Gelfenstein tratou de explicar as diversas transformações na geopolítica do continente latino-americano, como o surgimento dos primeiros movimentos da esquerda depois dos processos de democratização dos países, nos anos 1990. O levantamento dos Zapatistas, o triunfo de um militar insurgente do exército venezuelano, o primeiro indígena presidente. Rodríguez também falou de alguns acontecimentos dos últimos meses que demonstravam um fechamento do cerco à direita pelos países e governos de integração. A tentativa frustrada de golpe na Bolívia, o triunfo de uma constituinte no Equador, a vitória da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional, em El Salvador, todos esses e muitos outros fatores foram indicando um avanço nos processos políticos desses países para os governos de esquerda.

Frente a isso, uma crescente direita militar, organizada e formada pelas escolas militares norte-americanas, começa a se movimentar para causar desestabilização política e atacar essa nova articulação de poderes no continente. É essa direita fascista que promoveu o golpe militar na Venezuela em 2002, produziu um massacre na Bolívia e está tentando derrubar o governo de Manuel Zelaya em Honduras.

O Foro também concluiu que as negociações que neste momento ocorrem entre as diversas organizações diplomáticas e os militares golpistas em Honduras dependem, entre outras coisas, da mobilização popular. Os hondurenhos, desarmados, estão já há três dias nas ruas, sofrendo uma brutal repressão e tentando manter vivo o espírito de luta para devolver ao poder o presidente que, seguramente, muitos deles não sabiam, tem uma importância fundamental na construção da democracia desse país, promovendo a participação popular e fazendo com que esta seja um fundamento de sua Carta Magna.

Na Venezuela, tem-se debatido muito sobre algumas articulações insurgentes dentro do exército hondurenho, o que foi precisamente um dos fatores fundamentais para o retorno do presidente Chavez ao poder em 2002, dois dias depois de sofrer um golpe militar. Mas, para o Foro Intinerante desta quarta-feira, a mobilização popular e a pressão internacional serão os fatores decisivos para o desenrolar dos fatos em Honduras. O que já não se tem dúvida é que estão em jogo correlações de forças que representam aprofundação ou retrocesso radicais para os povos de nosso continente.   

Léo Fernandes.

Caracas, 01 de julho de 2009.



Escrito por Carolina Brauer às 08h20
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HONDURAS V

30/06/2009, terça-feira, 17:44 - Cresce a tensão entre o governo militar golpista de Honduras e comunidade internacional.

 

Nesta terça-feira, em virtude da viagem do presidente hondurenho Manuel Zelaya para Nova York, onde Zelaya fará pronunciamento, ainda hoje, na Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o governo golpista hondurenho, que após o golpe é chefiado pelo ex-presidente do Congresso Nacional, Roberto Micheleti, ordenou a captura do presidente Zelaya. A ordem foi dada durante pronunciamento dos militares.

 

Também durante o pronunciamento, os militares fizeram referência à viagem do presidente deposto para Honduras, prevista para acontecer na próxima quinta-feira, indicando que, assim que pisar em solo hondurenho, o presidente Zelaya será detido e levado aos tribunais de justiça do país, controlados pela coalizão de direita que proferiu o golpe militar no último domingo.

 

A viagem do presidente Zelaya para Honduras foi anunciada ontem em Manágua, na Nicarágua, e alguns representantes da comunidade internacional já confirmaram que irão acompanhar o presidente na volta ao seu país, entre eles os presidentes de Argentina e Equador, Cristina Fernandez e Rafael Corrêa, e o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza.

 

Alguns dizem que a atual pressão da comunidade internacional teria desarticulado o golpe militar em Honduras, indicando possibilidade de reversão. Mas, ainda assim, a repressão continua forte nas cidades do país. Vários prefeitos apoiadores do presidente Zelaya estão sendo cassados, mediante ordens de detenção do governo golpista, à revelia.

 

As manifestações continuam nas ruas da capital Tegucigalpa e, em várias cidades do interior do país, os movimentos articulam-se para um ato massivo nas ruas da capital na quinta-feira, quando chegará ao país a delegação que acompanha o presidente Manuel Zelaya. Há dificuldade na locomoção das pessoas e, segundo a Telesur, o governo deu ordem de disparo contra os carros e ônibus que tentarem chegar à capital para o ato do próximo dia 2.

 

As reuniões que aconteceram em Manágua nos últimos dias, e também a declaração final da Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira foram contundentes na condenação ao golpe militar e no não-reconhecimento do governo ilegal liderado por Roberto Micheleti. Ainda assim, o governo golpista segue reprimindo as manifestações populares, perseguindo ministros e líderes de movimentos sociais e sindicalistas e fechando e ocupando meios de comunicação, sem demonstrações de recuo ou de que irá desistir fácil da manobra que está em curso contra a democracia do povo hondurenho.

 

Seguiremos apoiando os trabalhadores de Honduras na luta contra o governo ilegal e fascista de Roberto Micheleti. Cada um deve lutar com as armas que possui para apoiar o povo hondurenho na luta pela soberania e pela transformação social.

 

Leonardo Fernandes,

 

Caracas, 30 de junho de 2009.



Escrito por Carolina Brauer às 12h08
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HONDURAS IV

29/06/2009, 00:32 - Golpe militar hondurenho se torna cada vez mais repressivo.

 

O dia hoje foi marcado por forte repressão diecionada às mobilizações contra o golpe militar que se deu no país na madrugada de ontem, domingo, 28 de junho, na capital hondurenha Tegucigalpa.

 

Ao final da tarde de hoje, o governo golpista mandou seus efetivos fecharem os poucos veículos de comunicação que continuavam funcionando no país, principalmente os veículos internacionais que enviavam imagens de Honduras para o resto do mundo. A equipe da rede de TV pública venezuelana Telesur foi detida pelos efetivos militares e, para sua libertação, foi necessária uma dura intervenção do embaixador de Venezuela em Honduras, que ainda se encontrava no país. O canal venezuelano é o único veículo internacional de comunicação que ainda permanece no país, desde o golpe. Além da Telesur, os poucos veículos independentes que continuavam informando a população hondurenha também foram fechados pelos militares, que alegaram questão de segurança para o fechamento das emissoras de TV. A jornalista da Telesur Adriana Sivori, assim como jornalistas da agência de notícias American Press (AP), foram detidos pelos militares e passaram por momentos difíceis em poder dos golpistas.

 

O presidente Manuel Zelaya, que atualmente se encontra na capital nicaragüense Manágua, disse hoje que irá a Honduras na próxima quinta-feira junto à comissão da Organização dos Estados Americanos (OEA), que visitará o país neste dia.

 

Com uma população completamente desarmada, ficou fácil para o governo militar reprimir as manifestações que ocuparam as ruas de Tegucigalpa, provocando duas mortes, inúmeros feridos e vários desaparecidos, muitos desses dirigentes de movimentos sociais. As mobilizações cumprem o plano de atividades dos movimentos sociais que pararam o país com uma greve-geral sem duração prevista, segundo alguns dirigentes, greve esta que deverá perduar até o retorno definitivo do presidente Manuel Zelaya às suas funções de chefe de Estado de Honduras.

 

É muito importante ressaltar que a cobertura que alguns meios de comunicação privados do mundo têm feito do golpe em Honduras é falaciosa. Muitos desses veículos, com o objetivo de deslegitimar o presidente democraticamente eleito Manuel Zelaya, reportam que o golpe militar aconteceu diante da tentativa do presidente Zelaya de aprovar no domingo sua reeleição como presidente da República. Porém, a consulta que se daria no domingo se tratava apenas de uma pesquisa de opinião popular para saber sobre a aprovação da população em relação à possibilidade de se convocar uma Assembleia Constituinte que conteria, por conseguinte, artigo que autorizaria a reeleição do presidente. É importante dizer que a consulta não se referia à reeleição propriamente dita do presidente, antes, abordava apenas a possibilidade de uma reforma da constituição hondurenha que englobaria a reeleição – uma pesquisa de opinião.

 

Pela tarde, a secretária de Estado norte-americano Hilary Clinton deu uma declaração dizendo que os Estados Unidos seguiriam com o compromisso de cooperação econômica com o governo hondurenho, e que o presidente Zelaya teria forçado toda a situação que ocorre em Honduras, ao insistir na convocação da consulta cidadã que ocorreria no domingo. Apesar de que, pouco depois, o presidente estadunidense Barack Obama tenha dado declarações de não-reconhecimento a quaisquer governos que não sejam o do presidente democraticamente eleito Manuel Zelaya, as declarações prévias da secretária de Estado demonstram que jamais estaremos enganados quando relacionarmos os Estados Unidos com as intervenções fascistas de grupos militares de direita na região latino-americana, como o foi na Bolívia no ano passado, na Venezuela em 2002 ou mesmo durante todos os sangrentos anos de ditadura militar no Brasil, algumas décadas atrás.

 

Hoje, várias reuniões se sucederam na capital nicaragüense Manágua, onde presidentes de todo o continente rechaçaram o golpe militar em Honduras e exigiram a restituição do presidente Manuel Zelaya no desempenho de suas funções como presidente do país centro-americano. Os presidentes dos países membros da Alternativa Bolivariana para os povos das Américas (Alba), também chamada de SICA (Sistema de Integração Centro-Americana), o Grupo do Rio (formado por 22 países latino-americanos e atualmente presidido pelo México) e convidados, como o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, permanecem na Nicarágua discutindo as medidas que serão tomadas, no sentido de reverter a situação de golpe. O secretário da OEA também viajará a Honduras nesta quinta-feira, quando deverá acompanhá-lo o presidente deposto Manuel Zelaya.

 

Também os países da Alba decidiram por unanimidade retirar seus embaixadores de Honduras, assim como não reconhecer nenhum funcionário do poder público hondurenho que não faça parte do governo legitimamente eleito de Manuel Zelaya.

 

Mais informações pelos sites:

 

www.telesurtv.net

 

www.aporrea.org

 

www.albatv.org

 

 

Leonardo Fernandes,

 

Caracas/Venezuela, 29 de junho de 2009.



Escrito por Carolina Brauer às 12h07
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HONDURAS III

29/06/2009, 14:20 - 2º dia do golpe militar em Honduras.

 

Desde as primeiras horas do dia, os canais públicos de televisão da Venezuela, principalmente o canal intercontinental Telesur, vem enviando informações de Honduras, ao vivo, sobre a situação política do país centro-americano.

 

Há pouco, a Telesur denunciou o cerceamento do trabalho da imprensa no país. Um grande número de veículos de imprensa foi tomado pelo exército golpista, ou mesmo fechado deliberadamente. Os únicos meios que continuam funcionando são os meios privados que somente reproduzem desenhos animados e programas de entretenimento.

 

A Telesur também divulgou imagem das mobilizações populares que estão ocorrendo neste momento em Tegucigalpa, capital hondurenha. Frente à greve geral convocada pelos sindicatos e movimentos sociais de todo o país e ao fechamento de vias na capital, o governo golpista vem mantendo todo o país, principalmente a região onde se concentra o poder hondurenho, fortemente militarizado, endurecendo ainda mais o cerco militar e a repressão em Honduras.

 

Desde que lograram o golpe militar na manhã de ontem, domingo, os militares deram uma série de declarações condenando a relação do presidente democraticamente Manuel Zelaya com presidentes sul-americanos, como Hugo Chávez, bem como com Fidel Castro.

 

A ministra de Relações Exteriores de Honduras, Patrícia Rodas, sequestrada pelos militares na manhã de ontem, foi trasladada para o México com vida, depois de passar horas sob poder das forças repressivas. A ministra dirige-se hoje a Manágua, capital da Nicarágua, para assistir, junto ao presidente Manuel Zelaya, à reunião da Alternativa Bolivariana para os povos das Américas (Alba) e do Sistema de Integração Centro-Americana (Sica). Também foi convocada uma reunião de emergência do Grupo do Rio (formado por 22 países latino-americanos e atualmente presidido pelo México), numa articulação para envolver os governos que não fazem parte nem da Alba e nem do Sica, como Brasil, Chile e Argentina. Esses países já manifestaram seu rechaço ao golpe militar em Honduras.

 

As mobilizações populares seguem forte nas imediações do palácio presidencial na capital Tegucigalpa e, em resposta, um grande efetivo militar protege o Palácio do Governo e se prepara para a reação, que no dia de hoje, demonstra ser mais forte do que no primeiro dia de golpe.

 

Leonardo Fernandes

 

Caracas/Venezuela, 29 de junho de 2009.



Escrito por Carolina Brauer às 12h07
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HONDURAS II

28/06/2009

 

Neste momento são 11:15 da manhã, horário de Caracas. Manuel Zelaya, presidente de Honduras, está falando ao vivo na Telesur, direto de San José (Costa Rica). Ele confirma que, nesta madrugada, alguns soldados entraram em sua residência em Honduras e abriram fogo, ameaçando de morte a ele e à sua família. Também, que se viu obrigado a acompanhar os soldados, que por sua vez o transportaram a uma base aérea, de onde voou até a Costa Rica. Solicitou que o governo dos Estados Unidos emita um comunicado em que se condene o golpe, pois o contrário significará a relação norte-americana com o governo golpista.

 

Segue abaixo texto de Eva Golinger que faz uma importante análise sobre algumas coisas que estão por trás do golpe militar em Honduras. Creio que é uma importante leitura.

 

O primeiro golpe de Estado de Obama

 

Eva Golinger

 

Caracas (Venezuela). – A mensagem de texto que chegou em meu celular esta manhã dizia assim: “Alerta, Zelaya foi sequestrado, golpe de Estado em marcha em Honduras. Divulgue.” Foi um duro despertar em um domingo pela manhã, sobretudo para os milhões de hondurenhos que estavam se preparando para exercer, pela primeira vez, seu sagrado direito ao voto em um referendo consultivo sobre a convocatória de uma Assembleia Constituinte para reformar a Constituição. O referendo convocado para hoje não é vinculante, é apenas uma pesquisa de opinião para determinar se uma maioria de hondurenhos deseja ou não que se inicie um processo para modificar a Constituição do país.

 

Uma iniciativa desse tipo nunca teve lugar nessa nação centro-americana, cuja constituição é tão limitada que somente permite uma mínima participação do povo hondurenho em seus processos políticos. Tal constituição, redigida em 1982, no momento auge da guerra-suja do governo de Reagan na centro-américa, foi desenhada para instituir que aqueles que detivessem o poder, tanto econômico como político, pudessem mantê-lo com mínimas interferências do povo. Zelaya, eleito em novembro de 2005 pela plataforma do Partido Liberal de Honduras (PLH), havia proposto a pesquisa de opinião para determinar se a maioria dos cidadãos estavam de acordo com uma necessária uma reforma constitucional. Sua proposta foi apoiada pela maioria dos sindicatos e movimentos sociais do país. Após esse resultado, seria organizado um referendo durante as próximas eleições de novembro, para que o povo hondurenho pudesse votar sobre a convocatória de uma Assembleia Constituinte. É importante dizer que a pesquisa prevista para hoje não era vinculante, quer dizer, tratava-se apenas de uma pesquisa de opinião, permitida pela lei hondurenha.

 

Entretanto, vários dias antes do previsto para o referendo, a Corte Suprema de Honduras declarou ilegal a petição do Congresso. É preciso assinalar que ambos, Congresso e Corte Suprema, estão controlados por maiorias contrárias à Zelaya e por membros do ultraconservador Partido Nacional de Honduras (PNH). A ilegalidade deu lugar a manifestações massivas favoráveis ao presidente Zelaya. No dia 24 de junho, o presidente destituiu o chefe do alto mando militar, general Romeo Vásquez, depois que este se negou a permitir que os militares distribuíssem o material eleitoral para a consulta de hoje. O general Vásquez manteve o material sob estrito controle militar e se negou a distribuí-lo, inclusive aos seguidores do presidente, com a desculpa de que a Corte Suprema havia declarado ilegal a consulta prevista e, portanto, não podia obedecer à ordem presidencial. Igualmente ao que se sucede nos Estados Unidos, o comandante-em-chefe tem a última palavra em qualquer ação militar, e o presidente Zelaya ordenou a destituição do general Vásquez. Ángel Edmundo Orellana, ministro de Defesa, também foi demitido, como resposta a essa situação que ficava cada vez mais tensa.

 

No dia seguinte, a Corte Suprema de Honduras restituiu em suas funções o general Vásquez, ao declarar “inconstitucional” sua destituição. Milhares de hondurenhos saíram às ruas de Tegucigalpa, capital do país, em apoio ao presidente Zelaya, como mostra de sua determinação em assegurar que a consulta não-vinculante pudesse acontecer. Na sexta-feira passada, o presidente e um grupo de centenas de seguidores marcharam até a base aérea para recuperar o material eleitoral previamente seqüestrado pelos militares. Naquela noite, Zelaya realizou uma coletiva de imprensa, junto a um grupo de políticos de diferentes partidos e movimentos sociais, na qual se fez um chamado à paz e à unidade no país.

 

Ontem, sábado, informou-se que a situação em Honduras era tranquila. No entanto, na madrugado de hoje, domingo, um grupo de aproximadamente 60 militares armados assaltaram a residência presidencial e tomaram Zelaya como refém. Depois de várias horas de confusão, começaram a filtrar informações segundo as quais o presidente teria sido transportado para uma base aérea e levado para a vizinha Costa Rica. Até o momento, não existem imagens do presidente e se desconhece se sua vida está em perigo.

 

Por volta das 10h da manhã, horário de Caracas, Xiomara Castro de Zelaya, esposa do presidente, denunciou ao vivo pela Telesur que, na madrugada do domingo, os soldados haviam invadido sua residência, proferindo disparos e batendo no presidente, tendo-o sequestrado em seguida.

 

“Foi um ato covarde”, disse a primeira-dama referindo-se ao sequestro, que se deu em uma hora em que ninguém podia reagir. Castro de Zelaya fez também um chamado para que mantivessem com vida seu marido, indicando, inclusive, que ela desconhecia seu paradeiro. Acrescentou que suas vidas seguem em “grave perigo” e pediu para que a comunidade internacional denunciasse esse golpe de Estado e atuasse com rapidez para reinstalar a ordem constitucional do país, incluindo-se aí o resgate e regresso do democraticamente eleito Zelaya.

 

Evo Morales e Hugo Chavez, presidentes de Bolívia e da Venezuela, respectivamente, realizaram declarações públicas na manhã deste domingo, nas quais condenaram o golpe de Estado em Honduras e fizeram um chamado para que a comunidade internacional reaja, no sentido de restaurar a democracia e fazer com que Zelaya possa regressar ao seu posto de presidente eleito constitucionalmente.

 

Na quarta-feira passada, 24 de junho, aconteceu na Venezuela um encontro extraordinário dos países-membros da Alternativa Bolivariana para os povos das Américas (Alba), da qual faz parte Honduras, com o fim de dar boas-vindas a Equador, Antigua, Barbados, San Vicente e Granadinas à organização. Durante o encontro, do qual participou Patrícia Rodas, ministra de Relações Exteriores de Honduras, foi lida uma declaração de apoio ao presidente Zelaya, na qual se condenava qualquer tentativa de impedir seu mandato e o processo democrático de Honduras.

 

Informes provenientes de Honduras dão conta de que o Canal 8 da televisão pública foi tomado pelas forças golpistas. Há poucos minutos, a Telesur anunciou que os militares hondurenhos cortaram a eletricidade no país. Segundo informou a ministra Rodas pela Telesur, “a comunicação telefônica e a eletricidade estão cortadas. As televisoras emitem desenhos animados e telenovelas e não informam ao povo de Honduras o que está se sucedendo”. A situação é muito parecida com o golpe de Estado de abril de 2002 contra o presidente Chavez na Venezuela, quando os meios de comunicação desempenharam um papel-chave, em primeiro lugar, porque manipularam as informações, em apoio ao golpe e, posteriormente, porque eliminaram qualquer cobertura dos fatos, uma vez que o povo começou a se manifestar e terminou por derrotar as forças golpistas. Chaves, como aconteceu com o presidente hondurenho, foi sequestrado pelos militares, mas foi resgatado. A ordem constitucional acabou sendo restaurada no país.

 

Honduras é uma nação que foi vítima no século passado de ditaduras e múltiplas intervenções dos Estados Unidos, entre elas várias invasões militares. A última intervenção importante do governo estadunidense em Honduras aconteceu durante os anos 1980, quando o governo de Reagan financiou esquadrões da morte e paramilitares, com o fim de eliminar qualquer “ameaça comunista” na centro-américa. Naquele momento, John Negroponte era o embaixador estadunidense no país, tendo sido o responsável direto pelo financiamento e treinamento dos esquadrões da morte hondurenhos que promoveram assassinatos e fizeram com que milhares de cidadãos desaparecessem.

 

Na sexta-feira passada, a Organização de Estados Americanos (OEA) havia convocado uma reunião extraordinária para discutir a situação em Honduras. Posteriormente, emitiu um comunicado no qual condenava as ameaças à democracia e autorizava a viagem a Honduras de um grupo de representantes da OEA. Não obstante, na sexta-feira, Philip J Crowley, secretário-adjunto de Estado estadunidense, negou-se a definir a posição do governo estadunidense em relação ao possível golpe de Estado contra o presidente Zelaya.  Em lugar disso, emitiu uma ambígua declaração na qual afirmava que Washington apoiava a posição do presidente Zelaya. Enquanto a maioria dos governos latino-americanos declarava sua mais rotunda condenação aos planos golpistas em Honduras e seu contundente apoio ao presidente constitucionalmente eleito, o porta-voz estadunidense anunciava: “Nos preocupa a ruptura do diálogo político entre os políticos hondurenhos sobre a consulta constitucional de 28 de junho. Instamos as partes a buscarem uma solução democraticamente consensuada para o atual beco-sem-saída político hondurenho, que seja conforme a constituição e as leis hondurenhas referentes aos princípios da Carta Democrática Inter-america.”

 

Hoje, domingo, às dez e meia da manhã, Washington ainda não emitiu nenhuma declaração relativa ao golpe de Estado em Honduras. A nação centro-americana é muito dependente da economia estadunidense, que lhe assegura uma das principais fontes de ingressos: as transferências de dinheiro de hondurenhos que trabalham nos Estados Unidos para o país, sob o programa de “estatuto temporal protegido”, instaurado durante a guerra-suja de Washington da década de 1980. Outra fonte importante de ingressos de Honduras é o Usaid, que injeta mais de U$ 50 milhões anuais para programas de “promoção à democracia”, os quais habitualmente dão apoio a ONGs e aos partidos políticos favoráveis ao interesses dos Estados Unidos, como aconteceu também na Venezuela, na Bolívia e em outras nações da região. O Pentágono também mantém a base militar de Soto Cano em Honduras, com aproximadamente 500 soldados e numerosos aviões e helicópteros de combate.

 

Patrícia Rodas, ministra de Relações Exteriores, disse que tentou repetidamente entrar em contato com Hugo Llorens, embaixador dos Estados Unidos em Honduras, mas que até o momento ele não havia respondido a nenhuma de suas chamadas. O modus operandi do golpe de Estado deixa bem claro que há o dedo de Washington nisso tudo. Nem o exército hondurenho, cuja maioria foi treinada pelas forças estadunidenses, nem as elites políticas e econômicas do país encampariam uma tentativa de golpe a um presidente democraticamente eleito sem o apoio e o respaldo de Washington. As forças conservadoras de Honduras submetem o presidente Zelaya a ataques cada vez mais frequentes, em virtude da crescente relação de Zelaya com os países da Alba, em particular com a Venezuela e o presidente Chavez. Muitos estão convencidos de que este golpe pretende assegurar que Honduras não seguirá na aproximação de países mais esquerdistas e socialistas da América Latina.

 



Escrito por Carolina Brauer às 12h05
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HONDURAS I

28/062009 - Golpe Militar em Honduras.

 

Na madrugada deste domingo, o presidente democraticamente eleito em Honduras, Manuel Zelaya, sofreu um golpe de Estado por parte de uma cúpula de militares das Forças Armadas hondurenhas.

 

O presidente Zelaya, depois de ter sido sequestrado dentro de sua residência, foi trasladado para São José, Costa Rica, onde permanece. O golpe de Estado aconteceu no dia em que ocorreria uma consulta popular, sem caráter deliberativo, para respaldar uma convocatória para uma Assembleia Constituinte, prevista para acontecer junto às eleições presidenciais que deveriam ocorrer no final do ano corrente.

 

O presidente Manuel Zelaya promoveu, desde que foi eleito, diálogo de aproximação com o grupo Alba – Alternativa Bolivariana para as Américas –, que envolve alguns presidentes da América Latina que possuem posições esquerdistas, a exemplo de Nicarágua, Bolívia e Equador e também de Cuba. O projeto que prevê acordos de cooperação mútua entre países do continente agrega em sua Carta de Princípios a promoção da democracia participativa, principal bandeira do projeto bolivariano da Venezuela. Por essa razão, o presidente Hondurenho Manuel Zelaya havia convocado uma consulta popular, de caráter exclusivamente consultivo, para saber qual a opinião da população hondurenha sobre a convocatória de uma Assembleia Constituinte, com vistas à aprovação de uma nova Carta Magna para o país centro-americano.

 

Logo nas primeiras horas deste domingo, o presidente Zelaya fez contato com o canal de televisão Telesur, diretamente de Costa Rica, onde Zelaya foi resguardado pelo governo desse país, que mais tarde, assim como a grande maioria dos países americanos, condenou o golpe militar contra o presidente democraticamente eleito de Honduras.

 

Pouco tempo depois, a ministra de Relações Exteriores de Honduras, Patrícia Rodas, também se pronunciou por meio da Telesur, relatando a brutalidade de como se deu a intervenção militar no processo democrático do país. Quando ainda fazia contato com o canal de televisão, a ministra foi sequestrada, assim como os embaixadores de Cuba, Venezuela e Nicarágua, esses em suas residências na capital hondurenha, Tegucigualpa, por um grupo de militares encapuzados. Os sequestrados foram levados de forma violenta pelos militares e a ministra Patrícia Rodas permanece desaparecida, assim como vários outros sequestrados pelos golpistas durante todo o dia. Os meios públicos de comunicação da Venezuela também denunciaram que vários ministros do governo de Manuel Zelaya foram detidos pelas Forças Armadas, assim como líderes de movimentos sociais que levam milhares de manifestantes às ruas em Honduras.

 

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez Fríaz, pronunciou-se ainda na manhã deste domingo, rechaçando a intervenção militar em Honduras e dizendo que a reação contra esse golpe deve vir de dentro e de fora do país. Chaves disse também que seria iniciada uma articulação para a reação contra a situação política que aflige o povo hondurenho. Durante todo o dia, outros chefes de Estado também se pronunciaram em rechaço ao golpe militar, como o presidente da Bolívia, Evo Morales, da Nicarágua, Daniel Ortega, de El Salvador, Mauricio Funes, do Brasil, Luis Inácio da Silva, e da Argentina, Cristina Fernández, entre muitos outros.

 

Durante todo o dia também houve manifestações em diversas partes do país centro-americano, principalmente na capital Tegucigualpa. Na Venezuela, milhares de pessoas se concentraram em frente ao Palácio de Miraflores para manifestar solidariedade e apoio ao povo hondurenho, que segue na resistência contra o golpe militar da extrema-direita hondurenha e clama pela restituição do presidente democraticamente eleito, Manuel Zelaya.

 

Na Venezuela, abriu-se uma discussão importante sobre a situação em Honduras. O avanço de uma direita golpista, frente ao estabelecimento de uma nova concepção de democracia participativa e ao fortalecimento de movimentos sociais de esquerda na região latino-americana é preocupante. Tal avanço reflete uma necessidade da classe burguesa desses países em se manter em posição de combate às políticas que vêm sendo tomadas, através de mecanismos como a Alba, do qual já fazia parte Honduras.

 

Ao fim do dia, o presidente do Congresso Nacional, nomeado presidente da República de Honduras pelos militares após o golpe militar desta manhã, Roberto Micheletti, convocou a primeira coletiva de imprensa e negou que havia ocorrido um golpe de Estado no país. Micheletti disse que somente havia-se cumprido as normas constitucionais. Micheletti foi nomeado presidente da República depois que o Congresso Nacional exibiu uma carta de renúncia do presidente Manuel Zelaya, com uma assinatura que mais tarde, comparada pelos meios públicos venezuelanos com a assinatura verdadeira do presidente hondurenho, foi tida como falsa. O próprio Zelaya, na Costa Rica, desmentiu a suposta carta-renúncia. Ao fim do dia, Micheletti anunciou um toque de recolher de 24 horas, mas os manifestantes que continuaram nas ruas se negam a respeitá-lo.

 

Muito parecido ao que ocorreu em abril de 2002 na Venezuela, quando o presidente Hugo Chavez foi deposto durante três dias por meio de um golpe militar, o canal estatal de Honduras foi tomado pelos militares logo nos primeiros minutos do dia, assim como diversos outros veículos de comunicação do país. Os canais privados estiveram durante todo o dia exibindo desenhos animados e programas de entretenimento, vedando o cerco midiático no país.

 

Ainda assim, alguns veículos seguem funcionando na clandestinidade, mandando e recebendo informações para/de outros países. Porém, esses veículos seguem enfrentando muitas dificuldades para a transmissão de informações, devido ao corte de energia elétrica em todo país, denunciado pelo presidente Zelaya, de Costa Rica. Na Venezuela, também, os meios de comunicação privados seguem promovendo uma cobertura pró-golpista e contra a postura do presidente venezuelano, que por sua vez disse ao fim do dia: “esse governo golpista, o derrocaremos”.

 

Durante o dia, o conselho de embaixadores da Organização de Estados Americanos (OEA) reuniu-se e condenou enfaticamente o golpe de Estado militar ocorrido em Honduras neste domingo. E convocou uma reunião para a próxima terça-feira, dia 30, para determinar ações contra o governo golpista, que, segundo esse mesmo conselho, não será reconhecido por essa Organização.

 

Para o mesmo domingo, à noite, foi convocada uma reunião com caráter de urgência em Manágua, na Nicarágua, entre os países que compõem a Alba, para determinar as ações em favor da restituição de Manuel Zelaya como presidente de Honduras. As organizações sociais de esquerda hondurenhas chamaram à greve-geral e à mobilização popular, cujos chamamentos devem continuar amanhã, com o fechamento de estradas e outras atividades em todo o país.

 

O presidente Chávez garantiu uma articulação para reverter o golpe de Estado ocorrido neste domingo em Honduras. Muitas coisas estão em jogo. O avanço da direita, através de governos militares nos países latino-americanos e frente a um fortalecimento de governos progressistas na região, sinaliza uma possível repetição histórica do que ocorreu na América Latina durante as décadas de1960 e 1970.

 

Ainda que Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, tenha feito um pronunciamento contra os ocorridos em Honduras, muito se conhece do histórico de intervenções norte-americana nos países do sul. Além disso, a intervenção americana poderá vir a ser justificada como saída para a atual crise econômica que vive o capitalismo e, conseqüentemente, que vive a economia dos Estados Unidos.

 

A crise política em Honduras, provocada por setores das Forças Armadas do país, representa, portanto, mais uma intervenção dos setores da burguesia em países latino-americanos, como os que ocorreram nos últimos anos na Venezuela, em 2002, e na Bolívia, no ano passado, ambos fracassados.

 

Alguns links para seguir acompanhando os fatos em Honduras nesse domingo, 28 de junho.

 

www.telesurtv.net

 

www.aporrea.org

 

www.radioglobohonduras.com rádio clandestina hondurenha que segue com dificuldades enviando informações para fora do país.

 

Leonardo Fernandes.

 

Caracas/Venezuela, 28 de junho de 2009.



Escrito por Carolina Brauer às 12h02
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Crônica de Olavo Bilac

Prezados leitores,

 

Nesta fria manhã de sexta-feira de inverno, publico uma crônica deveras quente para o deleite dos senhores. Trata-se de texto da obra e graça do escritor Olavo Bilac, carioca nascido em 1865, jornalista e escritor comprometido com os ideais republicanos e nacionalistas. Mesmo com essa "ficha", Bilac não deixou da fazer piada sobre os fatos insólitos da vida, como este que é narrado para os senhores, abaixo. O pseudônimo Bob, sob o qual essa crônica foi publicada, era utilizado quando o escritor queria dizer o proibido e o censurável...

 

 

o curioso é que só tomei ciência dessa "pérola" quando, usualmente, tomava o metrô rumo ao meu trabalho e, ao olhar para o lado, vi um daqueles textos que desde 2005 ficam pendurados nos corrimãos dos vagões dos trens, e também em vários coletivos da cidade. A iniciativa de levar um pouco da literatura brasileira e portuguesa ao proletariado em geral é da Faculdade de Letras (Fale) da UFMG, responsável pela afixação desses textos nos ônibus e metrô de BH. Tal projeto merece ser louvado.  

 

Abraços meio parnasianos a todos (porque mesmo o parnasiano Bilac fugiu à regra!),

 

Carolina Brauer.

 

Como os cães

Olavo Bilac

 

— Não é possível, senhora! — dizia o comendador à esposa — não é possível!

 

— Mas se eu lhe digo que é certo, seu Lucas! — insistia a D. Teresa — pois é mesmo a nossa filha quem m’o disse!

 

O comendador Lucas, atônito, coçou a cabeça:

— Oh! senhora! mas isso é grave! Então o rapaz já está casado com a menina há dois meses e ainda...

 

— Ainda nada, seu Lucas, absolutamente nada!

 

— Valha-me Deus! Enfim, eu bem sei que o rapaz, antes de casar, nunca tinha andado pelo mundo... sempre agarrado às saias da tia... sempre metido pelas igrejas.

 

— Mas — que diabo! — como é que, em dois meses, ainda o instinto não lhe deu aquilo que a experiência já lhe devia ter dado?! Enfim, vou eu mesmo falar-lhe! Valha-me Deus!

 

E, nessa mesma noite, o comendador, depois do jantar, chamou à fala o genro, um moço louro e bonito, dono de uns olhos cândidos...

— Então, como é isso, rapaz? tu não gostas de tua mulher?

 

— Como não gosto? Mas gosto muito!

 

— Tá tá tá... Vem cá! que é que tu lhe tens feito, nestes dous meses?

 

— Mas... tenho feito tudo! converso com ela, beijo-a, trago-lhe frutas, levo-a ao teatro... tenho feito tudo...

 

— Não é isto, rapaz, não é somente isso! o casamento é mais que alguma cousa! tu tens de fazer o que todos fazem, caramba!

 

— Mas... não entendo...

 

— O´ homem! tu precisas... ser marido de tua mulher!

 

— ... não compreendo...

 

— Valha-me Deus! tu não vês como os cães fazem na rua?

 

— Como os cães? ... como os cães?... sim... parece-me que sim...

 

— Pois, então? Faze como os cães, pedaço de moleirão, faze como os cães! E não te digo mais nada! Faze como os cães...!

 

— E, ao deitar-se, o comendador disse à esposa, com um risinho brejeiro:

 

— Parece que o rapaz compreendeu, senhora! e agora é que a menina vai ver o bom e o bonito...

 

*

* *

 

Uma semana depois, a Rosinha, muito corada, está diante do pai, que a interroga. O comendador tem os olhos esbugalhados de espanto:

— Que, rapariga? pois então, o mesmo?

 

— O mesmo... ah! é verdade! houve uma coisa que até me espantou... ia-me esquecendo... houve uma cousa... esquisita...

 

— Que foi? que foi? — exclamou o comendador — que foi?... eu logo vi que devia haver alguma cousa!

 

— Foi uma cousa esquisita... Ele me pediu que ficasse... assim... assim... como um bicho... e...

 

— E depois? e depois?

 

— E depois... depois... lambeu-me toda... e...

 

— ...e?

 

— ... e dormiu!



Escrito por Carolina Brauer às 09h39
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Receita de sabão feito com óleo de cozinha

Prezados,

  

reproduzo, na íntegra, receita de sabão de óleo de cozinha, disponibilizada pelo ambientalista e amigo querido Rogério Márcio da Silva, geógrafo de boa monta e defensor da natureza. Que tal começarmos a ajuntar o óleo ainda hoje, após fritarmos aquela super batata-frita?

  

"A simples atitude de não jogar o óleo de cozinha usado direto no lixo ou no ralo da pia pode contribuir para diminuir o aquecimento global. A decomposição do óleo de cozinha emite metano na atmosfera. O metano é um dos principais gases que causam o efeito estufa, que contribui para o aquecimento da terra.

 

O óleo de cozinha que muitas vezes vai para o ralo da pia acaba chegando no oceano pelas redes de esgoto. Em contato com a água do mar, esse resíduo líquido passa por reações químicas que resultam em emissão de metano. Você acaba tendo a decomposição e a geração de metano, através de uma ação anaeróbica (sem ar) de bactérias.

 

Além disso, um litro de óleo contamina um milhão de litros de água - o suficiente para uma pessoa usar durante 14 anos. Isso acontece porque o óleo impede a troca de oxigênio e mata todos os seres vivos como plantas, peixes e microorganismos. E ele também impermeabiliza o solo, contribuindo para as enchentes. Concordamos que não existe um modelo de descarte ideal do produto.

 

Porém, uma das alternativas é reaproveitar o óleo de cozinha para fazer sabão. A receita é simples. Quanto mais as pessoas evitarem o descarte do óleo no lixo comum, mais estarão contribuindo para preservar o meio ambiente. Uma das soluções é entregar o óleo usado a um catador de material reciclável ou diretamente a associações que façam a reciclagem do produto. Se nós conseguirmos dar algum valor de compra desse óleo para o catador, para que ele seja usado na produção de biodiesel, faremos com que haja um ciclo de vida desse produto, para que ele volte para o sistema produtivo,  produzindo o biodiesel para que isso substitua o consumo atual de óleo diesel.

 

RECEITA 1: COMUM

 

- 5 litros de óleo de cozinha usado;
- 2 litros de água;
- 200 mililitros de amaciante;
- 1 quilo de soda cáustica em escama.

 

Colocar, com cuidado, a soda em escamas no fundo de um balde. Em seguida, adicionar a água fervendo e mexer até diluir a soda. Acrescentar o óleo e mexer. Misturar bem o amaciante. Jogar a mistura numa fôrma e cortar as barras de sabão somente no dia seguinte.

 

RECEITA 2: COM AROMA

 

- 4 litros de óleo comestível usado;
- 2 litros de água;
- ½ copo de sabão em pó;
- 1 kg de soda cáustica;
- 5 ml de óleo aromático de erva-doce ou outro a gosto.

 

Esquentar a água. Separar meio litro e dissolver o sabão em pó nele. Dissolver a soda cáustica nos litro e meio de água restante. Adicionar lentamente as duas soluções ao óleo e mexer durante 20 minutos. Adicionar a essência mexendo bem, e despejar nas fôrmas escolhidas. Desenformar apenas no dia seguinte.

 

O ideal é colocar esse óleo que não será mais usado em uma garrafa pet, aquelas de refrigerante, e encaminhá-lo para a reciclagem. Atualmente, ONGs e empresas desenvolvem projetos de reutilização do óleo de cozinha, o que é bom para a economia e para a saúde do nosso planeta. Quem quiser produzir sabão em quantidades maiores pode fazer parcerias com pastelarias e barracas de pastel da feira, para colher o óleo que normalmente é jogado fora e doar para que seja transformado em sabão de boa qualidade."



Escrito por Carolina Brauer às 11h50
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Carta aberta aos jornalistas

Caros jornalistas e colegas,

 

Mesmo que a derrubada da obrigatoriedade do diploma de jornalista tenha acontecido após tanto esforço para a obtenção do "canudo", nada terá sido em vão! Vocês estudaram, aprenderam, empenharam-se bastante, só Deus sabe o que cada um passou para chegar onde vocês chegaram... ademais, mesmo que a competição agora venha a aumentar no seio da categoria, pois, se antes da derrubada da exigência do diploma, o mercado já estava apinhado de jornalistas, imagine agora, o tal "mercado" e a tal "seleção natural" vão dizer quem vai continuar no páreo ou não...

 

porém, as redações, com seus muitos jornalistas diplomados, não refletem a diversidade da sociedade brasileira. Há tempos, membros do proletariado já não conseguem espaço nas redações, cada vez mais elitizadas e fechadas em seus próprios "dogmas". Como os jornalistas que vêm, ao longo dos anos, ingressando nas redações trazem uma visão essencialmente burguesa da realidade para seu trabalho, tais "dogmas" só são reforçados...

 

 

aí, chegou a internet, causando uma verdadeira revolução na forma de distribuição das informações. Desde muito, os jornalistas e os jornalões já não são os únicos distribuidores da notícia. Depois do advento do "blog da Petrobras", então, todas as arcaicas e anacrônicas formas de elaboração de pauta, relação dos jornalistas com as fontes (e vice-versa) e construção de "verdades" irão ruir (e eu estarei viva para ver essa revolução, que máximo!)!

 

 

Só lamento que tal iniciativa - a da queda da obrigatoriedade do diploma - tenha partido "de cima para baixo", ou seja, dos barões da comunicação. Porém, a sociedade brasileira está mudando, veja só: os contrários às ações afirmativas estão tendo de engolir as estatísticas e as evidências científicas: a sociedade é, sim, racista; as políticas de cotas, bem como o Prouni, incluem mais negros e pobres no ensino superior do que no período durante a ausência dessas políticas públicas; e cotistas e beneficiários do Prouni têm desempenho igual ou superior aos não-cotistas ou beneficiados por programas governamentais.

 

 

Sinceramente, eu trabalho como jornalista há anos e só vejo, com raras e honrosas exceções, nêgo que é graduado em jornalismo, com pós-graduação e tudo mais, não ser capaz de construir um período simples, com duas ou três orações! São pessoas a quem o tal "diploma" forneceu acesso ao mercado de trabalho. Em contrapartida, no entanto, são pessoas a quem a tal "faculdade" não incutiu a capacidade de tecer posicionamentos críticos diante da realidade. E mesmo dentre aqueles que sabem escrever e são absorvidos pelo mercado, a maioria não apresenta condições de aprofundamento no debate e no questionamento do status quo (basta ver que, como Mino Carta, que não é diplomado, mas é o maior jornalista do Brasil e um dos maiores da América Latina sempre diz, "jornalista é o único ser que é amigo de patrão"...).

 

Também lamento que as relações de trabalho, principalmente nas redações e a partir de agora, venham a se precarizar ainda mais... porém, analisemos tal situação de penúria do mundo do trabalho do jornalista: qual a porcentagem de jornalistas sindicalizados nos diversos sindicatos Brasil afora? Destes, quantos se engajam nas questões políticas que dizem respeito à categoria?

 

 

Além disso, eu ainda me pergunto: como exigir diploma de uma profissão cuja grande maioria dos profissionais não “aceita” a criação de um conselho normativo, com a justificativa falaciosa de que tal normatização irá “cercear a liberdade de imprensa e o direito à informação”?

Por tudo isso, só posso louvar a decisão do Supremo em derrubar a obrigatoriedade do diploma de jornalismo.

 

Agora tenho que ir, porque vou correndo até o Ministério do Trabalho protocolar documentos e fazer o que tiver de ser feito para pegar, enfim, o meu registro de JORNALISTA – SEM DIPLOMA, MAS JORNALISTA.

 

Desejo boa sorte a todos vocês, não se sintam mal com tal decisão, antes, continuem na luta para que a democratização da comunicação seja cada vez mais possível!

 

Abraços a todos,

Carolina Brauer – enfim, jornalista!



Escrito por Carolina Brauer às 14h38
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Dê-me um tema e lhe darei uma reportagem, com o enfoque que você quiser...

Caros considerados,
quando eu fico por aí, feito Dom Quixote, a "bradar contra moinhos e a pregar utopias", não é à toa...

vejam bem a revolução que a blogsfera está provocando na "sociedade da informação". Um número considerável de pessoas já não se informa mais somente por meio da chamada "grande mídia" - prova disso é a quantidade de acessos que o site do jornalista Paulo Henrique Amorim teve no último mês: uma média de três milhões!

Agora, a disseminação de informações que ficava restrita à meia dúzia de jornalões e era submetida às editorializações e ao ponto de vista único da mídia nativa está aí, na internet, nos blogs, pra todo mundo ver.

Aí, vem a Petrobrás (com acento mesmo, que é pra irritar os que querem ver a estatal privatizada) e profere o "golpe de misericórdia" no Partido da Imprensa Golpista (PIG): no blog Fatos e Dados (
http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/
 ), sob o fogo cerrado do PSDB e do DEMo e com a imprensa a vasculhar possíveis problemas de administração na estatal, a petrolífera brasileira passou a publicar as perguntas por escrito encaminhadas pelos jornalistas à assessoria da Petrobrás, bem como as respostas dadas a esses mesmos jornalistas, na íntegra. Ideia simples e eficaz. 

A partir de agora, ficará bem mais difícil para os jornalistas, editores e barões da grande mídia "pinçar" depoimentos, frases e afirmações de suas fontes, colocando-as "soltas" nas reportagens ou inseridas "fora de contexto", com o intuito de dar veracidade ao discurso, à "verdade", à "história" contada nessas matérias. Muitas vezes, as perguntas encaminhadas pelos jornalistas às fontes dizem que o tema da matéria é sobre tal assunto e, quando a reportagem sai, a fonte constata que suas falas foram usadas para a "confecção" de texto cujo assunto era totalmente diferente do enunciado pelos jornalistas.

Eu, como profissional da imprensa e estudante de comunicação, afirmo a vocês: essa prática é absolutamente corriqueira e comum nos jornalões nossos de cada dia, também nas rádios e nas TVs. Esses veículos primeiro elaboram o título de suas matérias, para só depois saírem em busca de entrevistas e de depoimentos de "especialistas" que ajudem a corroborar com histórias que sempre contam com "mocinhos" e "bandidos", previamente escolhidos em reuniões de pauta. Essas entrevistas e "depoimentos" irão ratificar uma "tese" já concluída antes mesmo da saída do repórter da redação. Declarações e dados objetivos que contrariem essa "tese" serão sistematicamente descartados por jornalistas e editores.

Depois do advento do blog da Petrobrás, a grande imprensa terá que rever suas formas de atuação - e, acredito eu, que problematizar até mesmo qual é o seu propósito, pois, alguns já perceberam: essas mídias estão fadadas ao fracasso, por causa de seu próprio anacronismo.

Tal atitude abriu um precedente no universo da comunicação brasileira. O PIG, é claro, já se assanha, dizendo que essa iniciativa é uma "clara forma de intimidação de jornalistas, da imprensa e da democracia", blá blá blá... quá quá quá, faz-me rir! A primeira a publicar nota de repúdio ao blog foi a associação que reúne a nata do PIG, a Associação Nacional de Jornalistas (ANJ), que classificou a iniciativa da Petrobrás de "canhestra", "adjetivo" que pode ser imediatamente descartado. Basta notar o barulho que o blog está causando... e para o desespero geral do PIG, advogados especialistas em comunicação dizem que a ferramenta criada pela Petrobrás não fere nenhum princípio legal. Quá quá quá!

Hoje fui ao blog da Petrobrás (
http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/
 ) e me deparei com uma "pérola": não resisti e resolvi enviá-la a vocês, para que vocês possam ter um pouco mais de clareza sobre tudo o que venho dizendo sobre o PIG (e sobre um monte de outras coisas relacionadas ao PIG, cujos pormenores merecem ser discorridos em outra oportunidade)...

Segue o trecho do blog Fatos e Dados:

Valor Econômico responde à Petrobras

Junho 16, 2009 by Blog Fatos e Dados Petrobras

Após publicar, em 15/06, na seção de “Cartas de Leitores”, resposta resumida da Petrobras que desconstruía, com base em fatos e dados, as conclusões parciais e errôneas de “estudo” que mereceu destaque em matéria no Jornal Valor Econômico, o repórter responsável saiu-se com a réplica abaixo:

“O jornal não afirmou que a Petrobras deixou de recolher tributos para reforçar o caixa. Apenas divulgou um estudo feito por um consultor de um partido da oposição, no momento que a empresa está no centro do debate político”.

Veja a matéria do Valor Econômico de 12/06/2009 – “Manobra contábil da Petrobras é usada por grandes empresas, sugere estudo”, no site do jornal (acesso restrito aos assinantes do jornal) ou clique aqui e acesse a íntegra no clipping do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão do Governo Federal

Leia os esclarecimentos enviados pela  Petrobras no mesmo dia da publicação

Tags: economico, petrobras, tributos, valor
Publicado em Informe | 55 Comentários

Agora é que eu quero ver!

E viva a internet!

 



Escrito por Carolina Brauer às 15h58
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Dicas do que fazer para comer

Recomendo a visita ao blog "Receitas da Jane", da minha sogrinha querida, Jane Corrêa. Jane é psicóloga e professora de inglês aposentada. Mas esses não são os atributos mostrados em seu blog, e sim o seu talento na cozinha! Com maestria, Jane, que recorrentemente é solicitada a dar receitas de tudo-quanto-é-coisa, resolveu disponibilizar o conhecimento culinário adquirido através de gerações, por sua família, nesse apropriado espaço de democratização da informação que é a internet.

O endereço do blog é http://www.receitasdajane.blogspot.com/.

Fiquem atentos às receitas de "bolo de laranja", "bolo de nozes" e "torta de limão" - os melhores do gênero que já comi em toda a vida!!!

Abraços "gulosos" e sucesso, Jane!



Escrito por Carolina Brauer às 12h20
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Mulheres de Oliveira Sousa

As Mulheres de Oliveira Sousa são fortes, são guerreiras, são raçudas.

 

São feiticeiras, trazem consigo os segredos da ancestralidade, segredos delas e até para elas. Trazem consigo a fagulha do que foram suas descendentes – essencialmente mulheres. Não a mulher rebaixada pelo domínio masculino, estabelecido junto ao embrião no qual todas as contradições do mundo atual foram gestadas – “a origem da família, da propriedade privada e do Estado”. Mas, sim, a mulher dos primórdios, de um tempo em que o objetivo da vida traduzia-se em coisas aparentemente simples, mas cheias de sentido.

 

As Mulheres de Oliveira Sousa são raras, são poucas. Vieram de um mundo eminentemente masculino e evoluíram, por isso mesmo, hoje são mulheres. Mesmo assim, para sobreviver, incorporaram bigodes, vozes grossas (até as que não têm, quando a situação exige, passam a ter). Tiveram, muitas vezes, que se embrutecer para não sucumbir ao Mundo Homem. Algumas gostam de mulheres, e todas gostam das mulheres!

 

São matriarcas de seus clãs, são mães.

 

São amigas, são companheiras. São super e, mesmo tendo nascido em outro lugar, são Fortaleza.

 

Amam, vivem intensamente. Falam (algumas muito!), choram (algumas muito!), são rio que transborda – são francas. Por isso mesmo, desregulam-se com facilidade... têm que se atentar para a cabeça e o coração, meditar, deixar serenar. Têm que voltar a ser Lua, resgatar a fêmea antiga, a mulher dos primórdios.

 

As Mulheres de Oliveira Sousa trazem consigo a rusticidade do sertão, da seca, da luta do povo negro – rusticidade essa que se torna doce, por meio de suas “muitas emoções”... são diásporas de si e do mundo.

 

Têm como fonte de inspiração o dia-a-dia (cedo ou tarde, pelo amor ou pela dor, descobrem que o encanto da vida está em realizar as tais coisas que suas ancestrais faziam, e não nos amores vis, nas paixões, na ilusão do mundo).

 

Demonstram amor através do cuidado, cuidam.

 

Erram. Às vezes, aprendem com o erro (frequentemente não), mas raramente arrependem-se.

 

São trabalhadoras, são dignas. São inteligentes e são osso duro de roer!

 

São uma, duas, três, quatro ou quantas forem, são mais (“Deus é mais!”)!

 

Mas quem são essas Mulheres de Oliveira Sousa? Somos você, eu e todas aquelas que, mesmo sem esse sobrenome, guardam o Sinal no peito, na testa e no coração: a “estrela”, estrela feminina que nos guia.

 

São bizas, avós, mães, filhas, netas e até bisnetas.

 

São palestrantes, donas-de-casa, professoras, pesquisadoras, escritoras, defensoras, artistas, militantes, meio médicas e meio loucas, são o que ainda virão a ser, são senhoras, são mulheres, são crianças.

 

São mulheres. Que enfrentam, encaram, escancaram. Que se encaixam. Que chapam, chatas, mas xapas! Mulheres-mães, mulheres-amigas, mulheres-companheiras, super-mulheres, Quininhas, Joaquinas, Aílas, Marias, Madalenas, Evas!

 

Meu eterno agradecimento à Matriarca vovó Quininha, pela permissão para que eu pudesse aprimorar meu espírito, integrando-me a esta família. Obrigada por me carregar no colo, também minhas filhas Letícia, Gabriela e Vitória, e também por permitir que eu me sentasse em sua ancestral cadeira de balanço!



Escrito por Carolina Brauer às 11h37
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